Estou sozinho, hoje, este serão. Descalcei os meus sapatos de berloques, preparei um Jameson com duas pedras, enterrei-me no meu sofá amarelo e pensei em ti. Liguei o projector e o dvd, e meti o
TwentyFive do George Michael, o cd 1, onde está a nossa música. Com os pés relaxados, ainda vestidos com as meias castanhas, em cima da mesa do centro, relembro, todas as vezes que toquei à tua porta. Todas as vezes que entrei na tua casa e depois foi inevitável relembrar todas as vezes que nos entregámos um ao outro. Ali mesmo, porque as saudades já rebentavam pelas costuras. Agora que pude fazer um
flashback, sentado, quieto, na minha casa, penso como é incrível aquilo que o coração quer em contradição com o que a cabeça manda. Num entretanto o líquido acaba e o copo está vazio. Talvez como eu, cá por dentro.
Careless Whisper tocou, eu cantei, baixinho, como se quisesse relembrar uma daquelas noites, em que cantámos juntos, abraçados, na tua sala esta puta música linda, linda. Hoje, que estou sózinho, neste serão, não me apetece lembrar o quão fantástica és para mim... E não me apetece lembrar que detesto, detesto, de-tes-to, estar sózinho. Eu sei que é disso que eu tenho medo, é disso.