Por mais que tente pensar que esta vontade de ter um filho é controlável e pode esperar indefinidamente, sou sempre atropelado por sentimentos contraditórios quando pego num bebé ou quando surge esse assunto. Não raras vezes me perguntam quando irei ter um filho e a resposta mentirosa e dolorosa que "logo se vê" ou "ainda não calhou" começam a não chegar e a magoar-me. Sabem quando puxamos uma corda e temos as mãos já esfoladas? Mas continuamos a puxar até estar em sangue vivo. E doi, mas sabemos que tem que ser. Temos que (continuar a) puxá-la, não há volta a dar...
Acho que esta característica da minha personalidade, de ir com as coisas até ao fim, potencialmente fruto da minha educação, me faz sentir terrivelmente responsável pelas decisões que tomo. Não faz parte da minha essência saltar do barco. Vou até ao fim. O que quer que isso signifique! Assumo as minhas responsabilidades e NUNCA culpei a vida. Antes pelo contrário. Sempre agradeci tudo o que tenho, os objectivos que alcancei e continuarei a alcançar. Agradeço, porque a vida me ouve. Tudo o que peço, aparece. E apareceu. Aqui, pedi uma coisa ao mar. E tudo o que peço ao mar, aparece. Apareceu em forma de MF, linda, querida e inteligente. Que na troca de mensagens doces enquanto conduzia me ia fazendo ter um acidente. Não se pode dizer a um toxicodependente que "olha, tenho ali uma dose da boa". Ele passa-se! Fica com todo o seu sentido nisso.
Foi o que aconteceu. Partilhávamos informação nossa, o que gostas, o que preferes, o que precisas e eu perguntei "qual é o teu maior sonho?", na esperança que fosse alguma coisa fútil e parva. Fiquei a torcer que fosse algo que não deixasse crescer mais a minha vontade de ir ao Algarve dar-lhe um abraço apertado, mas foi tudo o que eu responderia. "Quero ser feliz" e não por estas palavras mas por outras, "quero ter outro filho". Juro que foi o momento mais marcante deste ano. Precisei de parar o carro. Respirar fundo. Aproveitei que estava em Óbidos e subi ao castelo. Encontrei um lugar lindo para responder à mensagem. O sol quente, um banco de madeira e árvores floridas. Sentei-me e respondi-lhe à mensagem pedindo-lhe que não brincasse comigo. Disse-lhe que podiamo-nos dar bem, ter algo engraçado se assim se proporcionasse. Não era preciso isto! Eu dava-me mesmo assim, aliás, dou-me! Não era preciso dizer que o maior sonho dela é ter outro filho! Foda-se! Eu pedi isto! Eu sentei-me na marginal sózinho em Agosto do ano passado, pedi que aparecesse uma mulher com estas caracteristicas que quisesse e PUDESSE o mesmo que eu! E surge?! Foda-se, surge no Algarve?? E o que é que é suposto eu fazer? Claro que passei o dia a imaginar todas as possibilidades. Todas. Se eu já estava com vontade de lá ir, agora passou a necessidade.
Em certos aspectos da vida, sou terrivelmente imponderado, mas no que toca a responsabilidades, não faço nada sem ponderar muitíssimo sobre o assunto. Nada. Preciso de ter a certeza de todos os passos. Não volto a brincar com corações como fiz em 2007 com a A.. Não posso fazer isso a mais ninguém.
Quando voltei, depois de ter feito todo o tempo que consegui no escritório, adiando o regresso a casa, jantei, tentei interessar-me nas conversas de família, brincar com o miúdo e com a minha mulher... Depois de todos se irem deitar, aproveitei para saborear um Jameson 12 anos duas pedras, no meu sofá, com o meu cão bebé ao colo. Ainda tentei evitar, mas fui seduzido pela minha mulher e tendo sido bom como sempre,
A minha cabeça estava Sul...

A tua mulher tem um filho, que certamente amas. Honestamente, entendo que queiras ter um filho TEU, mas andar a trair a tua mulher e a querer estar com outra mulher por causa dessa vontade, é uma grande "filha da putice", como diria o outro. ;)
ResponderEliminarPondera, pondera, pondera. E pondera mais um bocadinho. E depois conta o que decidiste :)
ResponderEliminarÀs vezes apetece muito estar com outra pessoa... Mas é com a que temos ao nosso lado que vivemos o que há de bom e de mau. É ela que nos conhece por dentro e por fora. É fácil, muito fácil, sentirmo-nos atraidos por alguém com quem apenas partilhamos conversas esporádicas ou carinhos esporádicos. Quem sou eu para te aconselhar?? Ninguém!! O abismo pode ser tão tentador!! Temos é que saber se não é pior saltar para o desconhecido do que ficar com os pés assentes em terra desbravada... :) Beijocas oh Príncipe!
ResponderEliminar...qualquer relação no inicio é mágica, é boa, é gostosa pa xuxu...
ResponderEliminar...qualquer relação sem cumpromisso é fenomenal e excitante...uhu...
Mas a relação que tens agora também começou assim! Aliás, todas começam! Depois é o que se sabe...
Como diz a agridoce, pondera, pondera...
S*, trair, na minha óptica, sabes que não é grande problema. A questão aqui é que esta mulher pode ser (ou é, sei lá), mais do que uma traição...
ResponderEliminarAgridoce, Sim, é o que faço todos os dias que acordo! Não sei que faça...
Malena, Não é bem o desconhecido, não é a excitação de ser uma mulher nova... Não é como das outras vezes! Ou melhor, até é! Mas com o full package! É mais uma questão de visão do que de pila!
Feliz aos Trinta, Como disse à Malena, não é bem isso que me está a mover neste momento. Sou conhecedor dessa excitação de uma nova pessoa na nossa vida. Adoro esse feeling e não vou mentir: Seduz-me imenso. Mas não será bem isso que me está a por doido...
Beijocas, miúdas!
Eu optei por não comentar muito mais todas as situações como esta porque, para mim, seja questão de pila, seja o que seja, eu não vejo que ames a tua mulher mas também não te conheço e estou a ver tudo pelos meus conceitos. Quem sou eu para julgar os outros?! Mas realmente, aquilo que eu acho que existe é um comodismo que é comum em certas pessoas. Não estão para se chatear muito e perder uma pessoa certa por uma aventura. E jamais conseguirás, na minha opinião, fazê-lo e sentir o que realmente é outra mulher porque essas confirmações só vêm com o tempo, com a vivência. A traição, para mim, volto a dizer, é uma solução fácil e irresponsável.
ResponderEliminarEu acho que uma relação é um conjunto de muitas coisas. O amor ocupa um grande espaço mas também tem que existir uma coincidência de objectivos. E, sobretudo, uma generosidade em cedências. Se não estás disposto a ceder em nada, se os objectivos não são coincidentes... Eu já teria terminado. Porque, na minha visão, se olho para outras pessoas e faço asneiras, não amo. Muito mais se ponho constantemente questões. São marido e mulher apenas para pinar e irem sair juntos?! Como disse, não te conheço e por isso estou a ver as coisas segundo o que eu faria e o que acho correcto. Peço desculpa se ofendo. Acho piada à maneira como contas certas coisas mas por vezes enerva-me isso da facilidade em trair. Sei que se fosse ao contrário não aceitarias. Pimenta no rabinho dos outros é refresco!
ana, nove anos de relacionamento, significarão claramente, que houve cedências de parte a parte. Houve risco, houve desafio. Houve projectos conjuntos, houve muitas vitórias. Houve de tudo. E se me perguntares, desde quando traio a minha mulher, responder-te-ei, desde sempre. Isso não significa que não abdiquei (como ela!) de muitas outras coisas que poderiam ter sido giras! Aqui a questão que se coloca é que depois de tanto tempo juntos e de tanta coisa vivida a par, já não sei o que devo valorizar mais! Ontem sim, terias razão, nunca seria capaz de mandar isto tudo que construimos para trás das costas! Hoje não será bem assim! Primeiro, porque objectivamente, quero ter um filho e isso não o posso fazer com a minha mulher. Segundo, porque talvez esteja na hora de ponderar bem se quero sair de cabeça erguida ou arrasar com tudo o resto (que é aliás o que costuma acontecer em todos os divórcios/separações).
ResponderEliminarEu nunca disse que o que fazia era bonito e sensato! Eu sempre me chamei estúpido, burro e cobarde! Sempre! Nunca me julguei o maior do bairro por enganar ninguém! Se por vezes o disse ou fiz, foi para camuflar o sentimento de culpa que tinha...
Os homens pensam de maneira diferente que as mulheres, também é certo. Não estou a dizer que somos todos iguais, mas basicamente e genericamente, todos temos uma maior capacidade de fazer asneiras sem que por isso nos sintamos (muito) mal. Sinceramente, se me colocasses a questão correcta, ou seja, se a minha mulher me traísse como eu o faço, eu dir-te-ia que desde que não soubesse... Não me chocava minimamente! Sou, somos swingers, sabes disso e não me custa minimamente ver a minha mulher com outro homem. Não é por isso que se deixa de gostar!
Amor é isso que disseste, sim. Amor é respeito e lealdade. É comunhão de objectivos, é caminhar no mesmo sentido, lado a lado.
E eu, foda-se, já não sei para onde vou.
Beijo, não ofendes ninguém, obrigado, como sempre, pelas tuas palavras. :)
Pimenta no rabinho dos outros é refresco!
ResponderEliminarOh Ana... não poderia concordar mais. Ogre, eu gosto de ti, mas és profundamente egoísta.
Meu querido, estou como a S*, concordo, também gosto de ti, mas essa forma de viver não é a minha. Acho que é profundamente legítimo teres essa vontade de ter um filho. E não se julgará por aí o amor que tens pela tua mulher. Eu também quero muito ser mãe e não sei até que ponto isso me afastará ou aproximará de alguém. Eu estou contigo nesse querer. Se queres, se é isso que te fará feliz, sem dúvida, deves procurá-lo. Mas senso leal com o casamento, com a tua mulher.
ResponderEliminarNão era disso que falava. Falava nos meus conceitos e salientei que não queria julgar ninguém ou ofender porque são apenas os meus conceitos. Mas quando dizes: «desde que não soubesse»... O problema está na linha muito ténue que se pode passar. Quando é consentido pelo parceiro é swing, não é traição. Mas quando é escondido, é traição. Desde que não soubesses estava tudo bem. Isso acontece com todos nós, mas com certeza que sabendo, não gostarias. Ou seja, é algo que se faz e que não é certo. E se não é certo, na minha opinião, não se faz. Ou então o amor que nos liga a uma pessoa não é tão forte para cedermos a evitar esses impulsos unilaterais - era destas cedências que falava, nunca iria julgar a vossa vida porque não vos conheço.
A verdade é que não sabes para onde ir e não vais saber porque tu não consegues ter espaço na tua vida para "experimentar" uma mulher por si mesma, sem ser aliado também a esse prazer do fazer o bom e quando o mau puder surgir tu já não estás, estás em casa com a tua mulher. E uma relação, uma mulher e um homem, são um todo, as coisas boas e as coisas más.
Eu acho que há momentos em que é preciso fazer reset à máquina. E tentar não cometer os mesmos erros.
Mas só um comentário ao que dizes dos homens pensarem de forma diferente :p Isso são desculpas de mau pagador hehehe Há mulheres que também agem assim. Não é instinto, é uma opção de vida. Porque quem diz sim também pode pensar duas vezes e dizer não, já que cegos nunca ficamos e apesar de namorarmos ou sermos casados há pessoas que sexualmente nos atraem, apenas com um cruzar de olhos. Mas amor é muito mais.
Vá, mas não te encho mais porque não estou a dar conselhos, apenas uma opinião. Quem sou eu para conselhos?! Uma miúda hehehe :) Beijinhos e juízo!
Ups.. sorry pelo testamento! lololol
ResponderEliminarAdmito, podem ser desculpas de mau pagador. Mas há um fundozinho de verdade! eheheh :)
ResponderEliminarBeijoca, sua miúda irreverente! :P